Tinta solar: confira o que é e quais são os tipos

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Quando se ouve falar em energia solar, a primeira coisa que vem à mente são os clássicos painéis fotovoltaicos nos telhados ou cobrindo uma ampla extensão de terra, nas chamadas fazendas solares. No entanto, novas soluções ecológicas para os problemas do dia a dia estão sendo desenvolvidas por pesquisadores no mundo todo. Uma delas é a tinta solar.

Como se sabe, a questão energética traz muitos problemas ligados à poluição e à sustentabilidade, e é um grande desafio a ser superado nos próximos anos. Pensando nisso, pesquisadores de diversos países estão desenvolvendo a tinta solar, uma alternativa que gera energia a partir da luz do sol.

Isso significa que não são apenas os clássicos painéis que serão a única possibilidade de aproveitamento da energia solar que veremos no futuro. Saiba mais sobre o assunto!

Tipos de tinta solar

Primeiramente, é importante esclarecer que a tinta solar não é um produto único, mas um conceito que vem sendo desenvolvido por muitos anos por cientistas que chegaram a soluções muito distintas entre si.

Atualmente, existem três tipos distintos de tinta solar. Veja a seguir.

Tinta fotovoltaica

Chamada de tinta fotovoltaica em nanoescala ou ponto quântico, essa tecnologia vem sendo elaborada por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá. Nessas células, existem semicondutores em nanoescala que são ligados a um captador de fótons, isto é, de luz solar, possibilitando sua transformação em energia elétrica.

Essa tinta possui a grande vantagem de ser mais eficiente quando comparada aos painéis fotovoltaicos tradicionais, aumentando em até 11% o rendimento. Além disso, sua produção também é mais barata do que as células disponíveis no mercado. Assim, o preço de geração de energia por watt é reduzido, o que pode contribuir ainda mais para a popularização da energia solar.

Tinta solar de hidrogênio

eu funcionamento é diferente da anterior, pois aqui a energia é gerada a partir da captação da umidade do ar, ou seja, do vapor de água presente na atmosfera.

Há uma substância na tinta que atua de maneira análoga à sílica gel, removendo a umidade do ar, chamada sulfeto de molibdênio sintético. Essa substância, quando exposta à luz solar, também serve como semicondutor e catalisador da decomposição das moléculas de água, a próxima etapa no processo de geração de energia.

Então, a água absorvida é decomposta em oxigênio e hidrogênio com ajuda de uma outra substância que já está presente nas tintas tradicionais, chamada óxido de titânio. O hidrogênio, então, isolado, pode ser utilizado para geração de energia. E o mais importante: uma energia limpa, sem produção de gás carbônico.

A energia gerada a partir do hidrogênio é uma fonte promissora e totalmente ecológica, pois não requer fontes de água constantes, basta a umidade do ar, e não emite poluentes na atmosfera.

Ademais, já estão em desenvolvimento tecnologias que usarão células de hidrogênio em motores de combustão, como os de veículos automotivos, por exemplo.

A dificuldade, no entanto, é encontrar uma forma de armazenar o hidrogênio produzido pela tinta. Por isso, os pesquisadores que desenvolveram essa tinta solar estimam que ela só estará disponível no mercado daqui a, no mínimo, cinco anos.

Tinta de perovskita

Essa tinta tem o nome de uma substância que é utilizada em sua composição: um mineral chamado perovskita. Ela foi batizada em homenagem ao seu descobridor, um estudioso russo do século XIX chamado Lev Perovski. Esse mineral é sensível à luz solar e pode absorvê-la e convertê-la em energia elétrica.

Mesmo sendo conhecido há muito tempo, somente em 2009 um grupo de pesquisadores japoneses utilizou-o para produção de energia solar, e somente em 2014 ingleses da Universidade de Sheffield desenvolveram uma célula de energia solar feita com perovskita que pode ser pulverizada através de sprays sobre superfícies.

A perovskita é uma ótima opção para utilização em tintas solares, porque ela pode se tornar líquida. Além de ser barata, ela também possui altas taxas de rendimento, já alcançando 22% de aproveitamento da luz solar em poucos anos de pesquisa, enquanto os melhores painéis tradicionais, que usam silício, alcançam apenas 25%, mesmo após décadas de desenvolvimento.

Por isso, essa tinta solar à base de perovskita é considerada uma das tecnologias mais promissoras para o futuro.

Energia limpa

Um dos maiores interesses no desenvolvimento de tintas solares é seu caráter de energia limpa. Isto é, trata-se de uma forma de energia produzida a partir de fontes renováveis, ao contrário de combustíveis fósseis, por exemplo, um recurso finito que algum dia será se esgotará completamente.

Não obstante, essa geração de energia não gera poluentes de qualquer tipo, não produz resíduos que possam contaminar o solo, as águas ou a atmosfera, contribuindo para a preservação de áreas verdes. Por essas razões, há muitos esforços atualmente para o desenvolvimento de fontes limpas de energia.

Benefícios de utilizar a tinta solar

Além de ser considerada uma forma de energia limpa, há inúmeras outras vantagens relacionadas à utilização da tinta solar.

A primeira forma de uso em que se costuma pensar é na pintura de casas, aplicada conjuntamente com os clássicos painéis fotovoltaicos. Assim, a área total utilizada para captação de luz é multiplicada, reduzindo os gastos com energia, e ainda por cima de maneira sustentável.

Mas, na verdade, a quantidade de objetos que poderão ser recobertos com essa tinta é imensa. Edifícios inteiros, pontes, estádios, monumentos ou muros simples. Toda edificação é um potencial fonte de energia através da tinta solar. Aos poucos, conforme a tecnologia for aprimorada e a eficiência aumentar, casas e edifícios poderão se tornar praticamente autossuficientes em energia com a utilização da tinta solar.

Mas não para por aí: até mesmo carros, ônibus, trens ou aviões poderão receber essa pintura no futuro e se tornarem cada um o gerador de sua própria energia. Isso parece ir ao encontro do crescimento da procura e valorização de veículos elétricos que vem ocorrendo nos últimos tempos.

É claro que até que tudo seja possível, serão anos de pesquisa científica e desenvolvimento, mas o futuro da energia solar parece promissor se continuarmos seguindo esses passos. E o mais importante: de maneira ecológica, melhorando a qualidade de vida da população em geral.

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