Arquitetura do Plano Piloto: o que você deve saber sobre ela?

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A arquitetura da capital do país é famosa e notável, além de estar presente nos noticiários e ser destaque internacional. Mesmo sem saber nomeá-los, quase todos os brasileiros já viram o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada e a Praça dos Três Poderes.

Mas você sabia que, além das grandes obras arquitetônicas, a cidade de Brasília tem um Plano Piloto extraordinário e que é reconhecido em todo o mundo? Neste artigo, você vai conhecer a história de sua fundação, detalhes de sua estrutura e entender a importância da sua preservação.

História do Plano Piloto

A ideia de Brasília surgiu graças ao intuito de modernizar o país, durante os anos 50, do então presidente Juscelino Kubitschek. Seu lema é amplamente conhecido até hoje: “50 anos em 5”, o que diz muito sobre suas grandes ambições na presidência. É claro que, entre outros aspectos da nação, era necessário inovar, também, nas nossas cidades: é aqui que entra Brasília.

Elaborada para mostrar ao mundo uma nova face do país, a capital deveria se tornar um ícone do urbanismo global, ao mesmo tempo em que simbolizava os ideais de progresso e desenvolvimento rumo ao futuro. Nesse cenário, há um nome central: Lúcio Costa.

Os principais arquitetos: Lúcio Costa e Oscar Niemeyer

Lúcio Costa foi um arquiteto nascido em 1902, em Toulon, na França, mas cuja formação acadêmica se deu na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. No ano de 1957, durante o governo de JK, ele venceu um concurso que iria consagrá-lo entre os grandes urbanistas do país.

Trata-se do concurso para o Plano Piloto da nova capital: Brasília. O arquiteto até mesmo fechou seu escritório no período para se dedicar inteiramente ao novo projeto.

Já Oscar Niemeyer foi responsável por alguns dos edifícios mais marcantes da cidade de Brasília, como a Catedral Metropolitana ou o Palácio do Planalto. Ele já havia trabalhado com Lúcio Costa antes, desde 1935, quando foi seu estagiário.

O Plano Piloto

O Plano Piloto de Lúcio Costa foi elaborado em torno de quatro pilares fundamentais, chamados escalas:

  • Escala Residencial: é aquela que diz respeito ao espaço de vivência dos moradores da cidade, o que significa mais do que apenas um lugar para morar, mas também, um local de acesso a comércios e atividades de lazer e esportes. O Eixo Rodoviário serve de base para essa escala;
  • Escala Monumental: é onde se encontram os edifícios do poder público, é essencialmente coletiva, representa o espaço da esfera pública na cidade. Fazem parte dessa escala os cartões-postais de Brasília, como a Praça dos Três Poderes e o Palácio do Planalto, por exemplo;
  • Escala Gregária: corresponde à área central do Plano Piloto, onde os eixos da cidade se cruzam. Concentra as atividades comerciais, hospitalares e hoteleiras, bem como a rodoviária de Brasília;
  • Escala Bucólica: essa escala permeia todas as outras, garantindo espaços verdes, áreas arborizadas e abertas.

As vias de ligação

Há, também, dois eixos que cortam a cidade formando uma cruz, tal como planejados por Lúcio Costa: o norte-sul e o leste-oeste. O primeiro, também chamado de Eixão, é formado pelas asas do projeto. Ele estrutura as áreas residenciais e comerciais ao longo de sua extensão.

Já o segundo é responsável por situar importantes edifícios da política nacional, como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, além de inúmeras outras obras de Niemeyer. Por fim, há o chamado eixo central, que serve para integrar as diversas seções da cidade.

Superquadras

Um conceito arquitetônico importante de Brasília, criado por Lúcio Costa, é a “superquadra”. Trata-se de uma expansão da ideia de quarteirão tradicional, pois a superquadra é um espaço amplo, entrecortado por bosques em que se situam edifícios de seis andares.

Essa ideia fornece ao morador de apartamento uma quantidade de “verde”, de “chão livre” que ele não está acostumado a dispor.

Objetivos da arquitetura da cidade

A segmentação rigorosa e inventiva elaborada por Lúcio Costa tinha como principais objetivos simplificar a localização dos serviços e produtos oferecidos pela cidade, bem como tornar o acesso a eles funcional e eficiente. Tudo isso, preocupado com o bem-estar e a qualidade de vida da população.

Mas ele também almejava a construção de uma obra que traria orgulho ao Brasil pela sua grandeza estética e urbanística. O Plano Piloto serviria como imagem do modelo de país progressista que se buscava construir, alinhado aos ideais de JK.

Tombamento e Patrimônio da Humanidade

Esse imenso e histórico projeto, que é Brasília, logo foi notado por órgãos nacionais e internacionais, tais como a Unesco e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Esse último é responsável pelo instituto jurídico do tombamento, fundamental para a preservação da história e da cultura nacionais.

A cidade de Brasília tem um total de 112,25 quilômetros quadrados, e 28 bens protegidos pelo tombamento do Iphan, o que corresponde à maior área tombada do mundo. Mas antes mesmo do reconhecimento por parte do Iphan, em 1987, a cidade recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco.

Ela foi considerada “obra-prima do gênio criativo humano” e ganhou reconhecimento mundial com a nomeação. Muito embora tal título não tenha efeito de lei, ele certamente realiza uma pressão internacional para a preservação das obras, motivando ações do poder público nacional. Tanto que o reconhecimento do Iphan veio somente após o título da Unesco.

Além dessas nomeações, recentemente, vêm se destacando esforços para preservar o patrimônio não monumental da cidade. Um deles é o selo CAU/DF — Arquitetura de Brasília, que visa a reconhecer o valor arquitetônico de edifícios que se situam fora do tradicional eixo dos monumentos.

Eles são prédios residenciais, mas que, graças à preservação realizada pelos moradores, destacaram-se entre os outros edifícios. Essa iniciativa é de extrema importância porque serve como divulgação das boas práticas de preservação de edifícios históricos, bem como oferece o devido reconhecimento a moradores e síndicos empenhados na conservação.

Como você pôde ver neste post, a fundação de Brasília foi um acontecimento memorável, e seu Plano Piloto foi um marco para a arquitetura moderna brasileira e mundial. As ideias inovadoras de Lúcio Costa, como as superquadras ou a setorização de serviços, bem como a construção de edifícios monumentais de Niemeyer, são fatores importantes para seu reconhecimento.

Não se pode esquecer, no entanto, que a necessidade de sua preservação é constante e de grande importância para a memória cultural do país. Agora que você já conhece a história e as ideias por trás da construção de Brasília, deixe um comentário nos contando o que você pensa sobre a cidade e seu Plano Piloto!

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